Apenas uma roga...
Viver é uma tarefa um
tanto difícil, quem assim não crê é porque deveras não sabe o que é vida. Se
essa empreitada nos é imposta, devemos fazer o máximo de esforço para que se
ache satisfação no findar da lida, objetivo esse que se torna difícil, se
enfrentarmos a vida em virtude do que os outros pensam.
Certo é que andamos
rodeados de inúmeras testemunhas prontas para acusar o seu erro no instante em
que ele for consumado, e por vezes consumá-lo por nós ainda que não tenha sido
no mínimo intencionado no coração. Pessoas que vivem em virtude da vida de
outrem (e não falo isso no bom sentido), preocupados em saber o que está se
passando na vida de fulano ou de beltrano apenas para fazer um prévio
julgamento em função de não sei o que, posto que não haja órgão nenhum, pelo
menos até hoje, pois possa ser que fundem algum, que se interesse em
infiltrar-se na vida alheia.
São como sanguessugas da
alma humana, persistem em arruinar a vida ou reputação de alguém, tem como
alimento o fracasso alheio, apontam os holofotes para alguém na expectativa de
que todos vejam o erro daquele que foi empurrado para o centro do palco contra
sua vontade, enquanto que nos bastidores o pecado corrói a alma daquele que
aponta o deslize do próximo.
Se amarmos a vida, que
vivamos cada dia dela como se fosse o derradeiro, que degustemos cada sabor não
nos preocupando o que dirão os grandes gastronômicos especialistas em discernir
sabores ainda que eles mesmos vivam insípidos. Que nos debrucemos sobre os mais
belos jardins e sintamos os mais diversos aromas da natureza sem inquietar-se
com as instruções dos mais renomados floristas ou com os comentários feitos
pelos botânicos especializados em flora.
Quero viver sem me
preocupar com o dia de amanhã, quem dirá com os comentários feitos e repassados
ontem.
Aos meus espectadores
deixo uma roga: “deixem-me viver em paz”. Ainda quero ser guiado pelas águas tranquilas
e deixar-me deitar em pastos verdejantes sem que me encontre amedrontado pelo
vale da sombra da morte ante a ameaça de passar por ele.
Nele, que não se importou
com o que dele disseram, antes disse o que para eles não importava.
Sola Gratia

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