Uma janela, um binóculo e um garoto
Uma roda de amigos, um casal trocando caricias, uns moleques jogando bola, alguns senhores disputando uma partida de dama para eliminar a ociosidade, e mais um grupo de atletas, ou no mínimo pessoas tentando ficar em plena forma, isso era tudo que o menino conseguia avistar da janela de seu quarto com seu estimado binóculo que ganhara de seu avô. A sua diversão principal, senão a única, era estar à beira de sua janela a espionar a vida dos outros, posto que em sua vida nada mais lhe sobreviesse, além de solidão e tristeza, muita tristeza. O que inquietava o garoto era a ausência de algo, algo que ele tinha saudade, porém não sabia identificar o quê. Tinha uma ótima família, uma ótima casa, tudo que desejava, na medida do possível, seus pais lhe abonavam. O ato de bisbilhotar os passantes da janela de seu quarto com seu binóculo, refletia o sentimento da alma do garoto. Desejava satisfazer o desejo de sua alma, e olhar o movimento da beira de sua janela era como se esti...