A doce morena





Tento decifrar-te, e penso que é possível, no mínimo em relação ao que queres comigo.

Espero por uma deixa tua, só assim posso me achegar com gracejos e namoricos.

Nos meus momentos de devaneios, ponho-me a sonhar com o dia em que poderemos andar de mãos dadas, sair a passeio na praça e sentar-nos ao pé de tua calçada como dois namorados.

Oh criador! Dá-me a honra de sentir os lábios da doce morena tocar os meus, ainda que por pouquíssimo tempo.

- Nunca tocarás as mãos ao corpo da bela morena, é muito conteúdo pra tu que és tão desprovido de suporte.

Redarguo com veemência a voz da minha consciência, focado na experiência que em sonho pude ter:

- Ainda que não a toque, ainda que não a tenha em meus braços, mesmo ainda que não a veja dormir e como uma criança a veja respirar em seu mais profundo sono após uma noite de prazer, sempre terei guardada a lembrança do dia em que a conheci. Naquele paquete que tomei, e que não o teria tomado se houvesse acordado mais cedo e cumprido com o marcado. Como um toque do destino, encontrei-a indo na mesma direção que eu, desembarcaria um porto antes do meu, mas valeu a pena o breve momento em que estive em sua companhia.

Desde então a doce morena não sai de mim, por isso volto a repetir:

- Ainda que não a toque, ainda que não a tenha em meus braços, mesmo ainda que não a veja dormir e como uma criança a veja respirar em seu mais profundo sono após uma noite de prazer, sempre terei guardada a lembrança do dia em que a conheci.


Wallison Muniz

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