Dominados pelo espírito do mundo
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o
amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida, não são do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a
sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
(1Jo 2.15-17)
Está instalada em nós a idéia de que o
mundo é tudo aquilo que se encontra pra fora das paredes eclesiásticas, fora da
jurisdição pastoral, mas estamos muito enganados. É nesse texto que João nos
esclarece o que de fato é o mundo, quais os perigos que ele pode nos trazer e
como podemos identificá-lo.
O mundo como um sistema
João nos aponta um conjunto de características que se instala na alma,
ele não vem nos falar de estilos musicais, de padrões de moda, da maneira como
devemos nos cumprimentar. Ele nos fala de sentimentos abrigados na alma do ser
humano que determinam seu caráter. Esse conjunto de características forma um
sistema que tenta nos atrair para si, como um buraco negro em meio ao nosso
universo. Ele nos orienta a não amarmos o mundo, isso nos fala de nutrir um
relacionamento intimo com tais sentimentos, de abrir espaço para se alojarem em
nossa alma, pois com bastante clareza ele nos diz: “Se alguém ama o
mundo, o amor do Pai não está nele.”, nos leva, a
saber, que todos quantos se rendem diante desse sistema chamado mundo, não têm
condições de chegar-se ao Pai, ele complementa dizendo: ”nem o que no mundo há...”. È nesse momento que ele nos dá as características do sistema mundano.
1. A concupiscência da carne
Interpreta-se a
palavra concupiscência, como desejo por demais incontrolável, e carne, no seu sentido ideológico, como natureza humana, ou como o próprio
homem. Logo, concupiscência da
carne nos fala do desejo veemente de sentir, de
tocar, de ter prazer, de deleitar-se. O que leva o ser humano a sentir prazer,
se não as obras manifestas da carne? Que são: “prostituição,
impureza, lascívia...” (Gl 5.22), então como
uma das características do sistema mundano, a concupiscência da carne leva o
homem à depravação sexual de maneira que o homem se torna dominado por seus
desejos, e depravações sexuais. Somos seres sensitivos, somos por demais
levados pela emoção de tocar e de sentir-se tocados, é exatamente por essa
fragilidade (se é assim que posso tratar essa característica humana), que somos
tentados, e por vezes caímos. Há um conceito de filosofia grega proveniente do
grupo dos epicureus que expressa o seguinte conceito de vida: ‘O prazer está acima de tudo’. Contanto Paulo nos alerta: “Andai em Espírito
e não cumprireis a concupiscência da carne.” (Gl
5.16)
2. A concupiscência dos olhoVê-se agora outra característica desse
sistema, a concupiscência dos olhos, nos fala de atração, pois Jesus disse: “[...] qualquer que atentar numa mulher para cobiçá-la já em seu coração
cometeu adultério com ela. [...] se o teu olho te escandalizar,
arranca-o e atira-o para longe de ti...” (Mt
5.28,29), e ainda, “a candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se
os teus olhos forem bons, todo o
teu corpo terá luz.” (Mt 6.22). Os nossos olhos são os portais de
nossa alma, são com os olhos que nos comunicamos, quando não usamos palavras,
os olhos são apenas captadores e transmissores de imagens para a alma. Por esse
motivo que um ato quando consumado na esfera terrestre, há muito havia sido
consumado no espaço da alma.
2. A soberba da vida
Podemos
caracterizar como soberba da vida tudo quanto se refere a auto-suficiência humana, a exaltação
do coração, o cuidado demasiado com a vida, “E a que caiu entre espinhos,
esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e
riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição;“
(Lucas 8.14), e ainda “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” (Pv 16.18), e acerca da origem da soberba, “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” (I Tm 3.6) e ainda acerca da recompensa da soberba, “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Lucas 18.14). Ensoberbecer - se não se resume a palavras, mas sim a maneira de como levar a vida. Todo quanto se declara alto-suficiente e que não precisa do auxilio de Deus cai na soberba da vida, todo que cultiva a altivez no coração esse sim é um soberbo e está entregue a condenação do diabo. Então, a soberba da vida é mais uma característica do espírito que domina o mundo.
(Lucas 8.14), e ainda “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” (Pv 16.18), e acerca da origem da soberba, “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” (I Tm 3.6) e ainda acerca da recompensa da soberba, “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Lucas 18.14). Ensoberbecer - se não se resume a palavras, mas sim a maneira de como levar a vida. Todo quanto se declara alto-suficiente e que não precisa do auxilio de Deus cai na soberba da vida, todo que cultiva a altivez no coração esse sim é um soberbo e está entregue a condenação do diabo. Então, a soberba da vida é mais uma característica do espírito que domina o mundo.
Sola Vita
(Trecho de uma obra que está por terminar)

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