A morte fez-me uma visita





É bem mais fácil falar sobre experiências obtidas por outros e contá-las como se fossem particularmente suas, e se eu disser que a morte me fez uma visita, você acreditaria? Pois bem, acreditando ou não vou lhes contar:

Estava lá eu, tranqüilo, exceto as preocupações cotidianas, quando me deparo com o sentimento de morte, sim, um sentimento de morte, talvez você se pergunte: - Como pode ele saber e identificar um sentimento “mortal” sem nunca ter experimentado a morte, posto que esteja vivo? Respondo-lhe essa indagação baseado na ausência de vida que senti quando esse sentimento de mim se apoderou, ou não é certo que a morte nada mais é que a ausência da vida? Então, retomando o raciocínio, aquele sentimento parecia corroer minha alma, embora que por poucos segundos, foi uma sensação que posso sentir simplesmente ao referir-me a ela, não com tanta intensidade, mas a sinto.

Outra dúvida que surge na mente de quem me lê, é como se deu a cordial visita da morte em minha alma, sei muito bem que as mentes férteis já estão a trabalhar em um horrendo fato cômico para servir de palco para esse sentimento, mas não, vi-me surpreendido por ela quando me preparava para deleitar-me num dos meus maiores prazeres, uma boa música. Pegou-me de supetão, como quem chega de surpresa a fim de despertar o individuo para a vida com o intensivo impacto do oposto, a morte. E antes que me esqueça, não foi nada de extraordinário que me expôs a esse sentimento, nada de novo, foi apenas uma visita, sim uma visita cordial.

O que ela me disse? Não o sei especificar, porém soube interpretar o que ela me disse, ainda que tenha a leve impressão de que nenhuma palavra saiu de seus lábios, se que ela tem algum, sendo que não vi figura nenhuma. A minha interpretação concernente ao que ela me disse, mesmo sem nada ter falado, é a importância de valorizarmos a quem amamos.

Essa tão temida figura, tão espantosa lenda, veio me fazer despertar quanto aos sentimentos que cultivo em relação às pessoas que me amam, a sua missão foi exortar-me quanto ao tempo sob o qual não emprego atenção a quem eu amo, a morte veio me dizer que eu não me esquecesse do motivo de minha existência, o amor.

Obs.: Por duas vezes recebi, ainda que receoso, a visita da senhora morte.


Sola Vita

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